Que tal um cafezinho?

Há dias em que a energia simplesmente acaba, costumo dizer que esgotou a pilha.
A gente corre. Vive uma vida insana atrás de ganhar o amanhã porque o hoje está passando tão rápido que estamos sempre atrasados em relação a tudo que nos propomos fazer. Resultado: Estresse.

Hoje, o tão falado e desgastado estresse acomete a todos, inclusive as crianças, vítimas desta correria, das exigências, horários, cursos, metas e resultados que nos impõem e a tantas outras que nós mesmos nos imputamos. Fadados a uma nova realidade, uma vida estressada, recorremos a pequenos escapes que nos proporcionem uma pausa física e mental para que possamos em seguida retomar a rotina maluca de cada dia.

Chamo da pausa para um cafezinho. Não aquele cafezinho rápido, em pé, aquele que se toma a cada intervalo de reunião, nas visitas aos clientes, não aquele pretinho que se engole na busca por ingredientes reconhecidamente energéticos, que possam nos ajudar a acordar os neurônios.

Falo de um cafezinho, entre amigos, familiares.

Falo daquela pausa, longe da tela do computador, do tráfego doentio dos carros, do telefone tocando. Se bem que não há aviso de proibição do uso de celular nas cafeterias. Deveria existir uma lei a respeito e uma placa sinalizando a proibição logo na entrada de todo estabelecimento do gênero.

Refiro-me a este cafezinho.

Um tempo gasto com conversas leves, com atualizações daquilo que se deseja realizar, com fofoca do bem, pausa pra dizer que a gata deu cria, pausa pra reclamar que a empregada faltou, que o dente do filho caiu. Pausa pra saborear uma broa de milho, sem lembrar se a crise mundial, do desmatamento ou das rugas que insistem em aparecer.

Ele me remete a infância, ao hábito familiar de sentarmos á mesa aos finais de tarde, com pãozinho fresco, ou mesmo o amanhecido, molhado no café com leite. Os bolinhos de chuva da avó, os filmes água com açúcar da tarde e o “fazer nada” permitido.

Quando a coisa aperta, apelo pra o cafezinho, seja de manhã pra trocar idéia com a mãe, antes mesmo de ir trabalhar, seja à tarde pra desabafar com a amiga os dissabores que a vida às vezes nos impõe.

Tomo o cafezinho da cura, respiro fundo enquanto saboreio o aroma de tudo entrando nos eixos.

Será que sou só eu, ou você também está precisando? Que tal um cafezinho?

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