Gêmeos não são iguais!

Saiba como educar irmãos gêmeos

Fraternos ou idênticos, esses irmãos podem ser parecidos fisicamente, mas não são necessariamente, indivíduos com temperamento, comportamento e desejos iguais.

Nem sempre o planejamento familiar é garantia do controle de natalidade. Há mulheres que planejam ter apenas um filho e, durante o pré-natal, são surpreendidas com dois, três ou mais bebês. Há dois tipos de gêmeos: os idênticos, também conhecidos como univitelinos ou monozigóticos, que correspondem a 29% dos casos, e os gêmeos fraternos, bivitelinos ou dizigóticos, que representam a maioria.

No primeiro exemplo, os bebês são iguais fisicamente porque apenas um óvulo foi fecundado. Ele dividiu-se em duas partes idênticas, gerando bebês com o mesmo sexo e as mesmas características físicas. Já com os fraternos, o processo é diferente: os bebês não têm necessariamente as mesmas características físicas e o sexo também pode ser diferente, porque dois óvulos, com características distintas, foram fecundados.

O certo é que a semelhança física não é sinônimo de comportamento idêntico. Eles têm maior propensão a ter afinidades, mas possuem personalidade, temperamento e anseios distintos. Nem sempre isso é considerado pela família quando os bebês nascem. Para a psicóloga e pedagoga do Ponto Omega Centro de Cuidados Infantis, Maria Drumond Grupi, filhos gêmeos não podem ser criados como se fosse uma só pessoa. “Os pais devem estimular a independência entre eles e provocar respostas distintas e pessoais.”

As adaptações para receber mais de uma criança vão desde organização maior do orçamento doméstico, do espaço da casa, da divisão de tarefas cotidianas, à amamentação. O contato e a forma de lidar com essas crianças precisam ser individuais. Os problemas devem ser resolvidos caso a caso, são comuns pais que penalizam os dois filhos em virtude das travessuras de um deles. “É importante mostrar a eles que seus pais reconhecem suas diferenças e necessidades individuais”, ressalta Maria. Por isso, o hábito de vestir as crianças, principalmente os idênticos, com roupas iguais não é saudável para a formação da personalidade dos irmãos. “As crianças devem ter vida própria, cada qual com seu grupo de amigos, suas experiências, sucessos e insucessos. Por essa razão, é importante que elas possam ter experiências pessoais e oportunidades únicas”, ressalta Maria.

Promover as mesmas atividades, principalmente as lúdicas, para ambos também não é muito indicado. As crianças têm gostos e necessidades diferentes, um gêmeo idêntico pode adorar futebol, enquanto o outro gosta de visitar museus, por exemplo. Na hora de comprar brinquedos, estes também não devem ser iguais, a escolha deve estar de acordo com a personalidade de cada um. “Geralmente, os pais de gêmeos univitelinos (idênticos) tendem a criar os filhos de forma igual, isso faz com que eles fiquem dependentes um do outro e causa a impressão de personalidades idênticas” explica a psicóloga.

Outro momento delicado entre esses irmãos são as brigas. Para Maria Grupi, os pais só devem interferir se perceberem que as crianças podem se agredir, “elas precisam resolver suas diferenças sozinhas”.

Esses conflitos servem, inclusive, para salientar que são seres humanos distintos. A psicóloga defende o intermédio dos pais depois de esgotadas as possibilidades de acordo. Exigir as mesmas qualidades em ambos também é um erro. Alguns pais costumam cobrar que os irmãos tenham o mesmo desempenho na escola, o mesmo temperamento e desenvolvimento físico e emocional. Para ela, romper com a união que se estabelece entre os gêmeos é a maior dificuldade para os pais, a situação é estressante para todos. Preservar a identidade de cada um não quer dizer formar filhos inimigos, inclusive porque os gêmeos já têm uma integração natural, que pode ser reforçada ou atenuada, mas isso depende da conduta deles. O que precisa ser igual é o carinho da família para cada um.

Ambos devem ser tratados com o mesmo amor e devem ser cobrados da mesma forma.

Cuidados em dose dupla, tripla…

  • Na gestação o pré-natal deve ser rigoroso, pois há incidências maiores de bebês prematuros;
  • Não forme conceitos a respeito dos bebês, como “um é levado, o outro é quietinho”;
  • Não faça comparações entre os irmãos, isso pode gerar melancolia e disputa;
  • Avalie se há possibilidade de amamentá-los ao mesmo tempo, se não for possível, peça auxilio de alguém para ficar e acarinhar o bebê;
  • Dividir com o pai o maior número de atividades, banho, trocas, assim ele passa a integrar-se mais com os bebês;
  • Não deixe de descansar, dormir e alimentar-se bem;
  • Reconheça as semelhanças e valorize as diferenças;
  • Procure evitar roupas, brinquedos e atividades iguais, oriente a escolha deles;
  • Assim que souber do nascimento de gêmeos, vale replanejar o orçamento, as despesas serão dobradas.

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