Está com tosse? Cuidado, pode ser coqueluxe

Tudo começa com um tosse seca e repetitiva – em média, de dez a 15 “tossidas”, antes de se conseguir inspirar. A falta de febre, a boa disposição e o apetite generoso aparentemente afastam a hipótese de uma doença. Mas na hora de deitar, recomeçam os acessos que podem resultar em guincho e falta de ar. Esses são os sintomas clássicos em adolescentes, jovens e adultos da coqueluche, mais conhecida por “tosse comprida”.
Causada pela bactéria Bordetella pertussis, a coqueluche é responsável por 300 mil mortes por ano em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Desde os anos 80, está ocorrendo um aumento de casos e surtos, mesmo em países que promovem a cobertura vacinal da população. Nos Estados Unidos, o impacto da doença sobre jovens e adultos é estimado em 600 mil casos por ano.
“A coqueluche não é uma doença infantil, como muitos pensam. Quando as crianças estão vacinadas, a bactéria passa a atacar os adolescentes, jovens e adultos”, explica a médica infectologista, Rosana Richtmann, Doutora em Medicina pela Universidade de Freiburg, na Alemanha, e vice-presidente da Sociedade Paulista de Infectologia.
Diferentemente do sarampo e da varicela, a coqueluche pode acometer as pessoas mais de uma vez na vida. Nem os vacinados escapam desta possibilidade, porque a imunidade conferida pela vacina se perde ao longo do tempo. E as maiores vítimas são as crianças abaixo de um ano de vida, que ainda não completaram o esquema primário de vacinação.
Por terem as vias aéreas de menor calibre e o sistema imunológico imaturo, os bebês têm mais chances de desenvolver complicações, como pneumonia e insuficiência respiratória, que são freqüentemente responsáveis por internações. Podem inclusive provocar paradas respiratórias, capazes de deixar seqüelas mentais e motoras por causa da falta de oxigenação do cérebro.

DIAGNÓSTICO DIFÍCIL
Até a idade escolar, a coqueluche se manifesta de forma típica. A partir daí, os sintomas se confundem com os de outras doenças respiratórias. O diagnóstico é mais clínico, do que laboratorial. O exame de cultura nem sempre é bem-sucedido e o exame conhecido por Reação em Cadeia da Polimerase, que identifica o DNA da Bordettela pertussis, só está disponível em grandes laboratórios. “Seria importante que outros laboratórios oferecessem este exame”, afirma a médica Rosana Richtmann.
O infectologista Paulo Baptista, professor de doenças infecciosas no Hospital Universitário Oswaldo Cruz da Universidade de Pernambuco (UPE), revela um certo desconhecimento da classe médica: “Imagina-se que a coqueluche seja uma doença do passado ou só atinja crianças”. Ele é autor do artigo “O papel dos adultos nos surtos domésticos da coqueluche”, publicado em março de 2009 pelo International Journal of Infectious Diseases, órgão oficial da Sociedade Internacional de Doenças Infecciosas.
A partir do aumento de casos de coqueluche em crianças neste hospital, ele visitou as famílias e diagnosticou 158 casos, dos quais 30 em adultos, mais de 70% na faixa entre 19 e 39 anos. Um em cada cinco adultos estava infectado. “A doença foi introduzida na família pelos adultos em ¼ dos surtos intradomicialiares. Eram os pais, os tios e avós das crianças”, explica o médico.

VACINA
As vacinas contra coqueluche, tétano, difteria e poliomielite devem ser dadas em três doses nos primeiros dois, quatro e seis meses de vida do bebê. O primeiro reforço é indicado a partir de 15 meses. Para prolongar a duração da imunidade contra coqueluche, tétano, difteria e poliomielite, o Ministério da Saúde, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) recomendam o segundo reforço entre os 4 e 6 anos.
“Infelizmente, alguns estudos apontam que a cobertura vacinal nas crianças em idade pré-escolar é menor do que nos primeiros anos de vida, mesmo entre as famílias de alta renda”, afirma Lucia Bricks, Doutora em Medicina pela USP e diretora médica da Sanofi Pasteur, a divisão de vacinas da Sanofi-Aventis.
A Sanofi Pasteur disponibiliza no Brasil a única vacina combinada capaz de oferecer, com uma só dose, o segundo reforço adequado contra difteria, tétano, coqueluche e poliomielite para crianças de cinco a 13 anos. É a vacina conhecida internacionalmente como Tetraxim.
Desenvolvida com tecnologia de ponta, esta vacina já vem pronta para uso – 100% líquida na seringa, o que facilita a administração. Por proteger contra mais de uma doença, simplifica o esquema de imunização e estimula os pais a seguirem corretamente o calendário determinado pelos médicos.
Graças a uma sofisticada técnica de purificação, o componente contra coqueluche de sua formulação é acelular: tem apenas os fragmentos da Bordetella pertussis, que estimulam a produção de anticorpos. Alguns elementos geradores das reações adversas são descartados.
“Como a vacina utilizada na rede pública é composta por células inteiras e só pode ser administrada em crianças com menos de 7 anos, esta vacina é uma excelente opção para se evitar a coqueluche em escolares, que não receberam a dose de reforço na data apropriada”, declara Lucia Bricks.
Por ser formulada com vírus inativados (mortos) da poliomielite, ela também induz altos títulos de anticorpos contra os três vírus da doença, possivelmente propiciando proteção mais prolongada em comparação com a vacina oral.
A pediatra Lucia Bricks esclarece que, assim como ocorre com outras vacinas, há uma queda dos títulos de anticorpos contra o poliovírus com o passar do tempo. Por isso, as crianças com o esquema de incompleto de vacinação ficam vulneráveis à doença. “Enquanto a poliomielite não for erradicada no mundo, as pessoas suscetíveis correm o risco de contrair a doença, mesmo na idade adulta”, diz a médica.

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