Memória humana fica melhor a cada geração, diz estudo

Segundo os pesquisadores da Universidade de Estocolmo, os resultados do estudo – o maior já realizado sobre o tema – podem conduzir à elevação da atual idade de aposentadoria para homens e mulheres.
“Os resultados indicam que a idade de aposentadoria pode ser ajustada para além dos limites atuais, já que estamos retendo melhores funções cognitivas no processo de envelhecimento”, destacou Lars-Göran Nilsson, professor de Psicologia da Universidade de Estocolmo e líder do projeto, em entrevista ao jornal sueco Svenska Dagbladet.
A pesquisa envolveu 4,2 mil pessoas entre 25 e 80 anos de idade durante um período de vinte anos, com intervalos de cinco anos entre os testes. O estudo faz parte do chamado projeto Betula, que tem como objetivo examinar o desenvolvimento da memória a fim de identificar sinais preliminares de demência.
“Descobrimos que a memória das experiências, também conhecida como memória episódica, melhora a cada geração”, disse Lars-Göran Nilsson.
A memória episódica se refere a lembranças de acontecimentos específicos – como, por exemplo, lembrar-se de uma viagem feita com a avó trinta anos atrás.
Entre outros testes, os participantes do estudo tiveram que identificar cerca de vinte rostos, tempos depois de vê-los em fotografias mostradas pelos pesquisadores.
Fatores determinantes
Os cientistas concluíram que os fatores determinantes para o desenvolvimento da memória são os níveis de educação, a nutrição e o tamanho da família.
Segundo o estudo, as pessoas com maior grau de instrução, melhor nutrição, bons hábitos de exercícios e menor quantidade de irmãos ou irmãs possuem memória episódica mais acentuada.
Além da quantidade de irmãos ou irmãs, a ordem de nascimento na família também é um fator determinante, dizem os cientistas: os primeiros filhos tendem a ter melhor memória episódica.
“A explicação é provavelmente o fato de que o primeiro filho recebe 100% da atenção, e quando a criança ganha irmãos à energia e o tempo dos pais passam a ser divididos entre todos”, esclarece o líder do projeto.
O estudo demonstrou também que, mesmo entre as pessoas com formação biológica semelhante, aqueles que possuem nível mais baixo de instrução possuem uma memória episódica mais fraca.
A influência do grau de educação sobre a memória pode ser conseqüência do maior desenvolvimento do pensamento abstrato, ponderam os cientistas. O fluxo de informações a que as pessoas são expostas, assim como os computadores e jogos, também exercem papel importante para estimular o cérebro e fortalecer a memória.
Os cientistas observam que já os efeitos da nutrição sobre a memória episódica são mais difíceis de medir, uma vez que fatores genéticos também são determinantes nesta área.
O objetivo dos pesquisadores suecos agora é conduzir estudos comparativos em países em desenvolvimento: “É importante pesquisar se estes três fatores determinantes (grau de instrução, nutrição e menor quantidade de irmãos) também são decisivos em um país em desenvolvimento, onde o acesso a escolas e a alimentos não é tão evidente”, disse Lars-Göran Nilsson.
Cientistas chineses já expressaram interesse na pesquisa.

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