Anemia – Mitos e verdades

Logo a principio, vale a pena fazer alguns esclarecimentos.

Anemia: diminuição do volume de hemácias e da taxa de hemoglobina considerando-se as variações de idade e sexo, com deficiência no transporte do oxigênio para os tecidos.
Biodisponibilidade: quanto do nutriente que existe em um alimento que é digerido, absorvido, metabolizado pelo organismo que pode ser utilizado ou armazenado para ação futura.
Ferro heme: Ferro presente nos alimentos de origem animal (carnes como o peixe, aves, vísceras e fígado). Bem absorvido no organismo, muito melhor do que o não-heme.
Ferro não-heme: Ferro encontrado em alimentos de origem vegetal (leguminosas como feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico; folhas escuras como couve, espinafre, brócolis, mostarda; frutas secas, cereais fortificados, alimentos integrais e gema de ovo). Absorção menor pelo organismo e dependente de outros fatores.

A anemia por carência alimentar de ferro representa a deficiência nutricional de maior prevalência em todo o mundo (3.000.000.000 de casos, ou seja, mais de 1/3 de toda a população mundial). A mulher (especialmente a gestante) e a criança (até 4 anos) e adolescentes são os grupos biológicos mais vulneráveis.
Quanto mais precoce a falta de ferro, maior o risco de anemias com sintomas como apatia, irritabilidade, redução da capacidade de concentração e aprendizado, sem contar uma menor resistência a infecções com reflexos diretos na sobrevida, crescimento e desenvolvimento (físico e mental) adequado dessa população.
Crianças de 1 a 10 anos precisam de 10 mg de ferro ao dia
Uma dieta equilibrada (refeições com uma carne, verdura e legume, uma leguminosa, uma fruta ou suco para melhorar a absorção do ferro) pode garantir a quantidade diária de ferro necessária.
Fatores facilitadores

Vitamina A – melhora o transporte de ferro e produção de células vermelhas (presente em alimentos alaranjados, verde-escuros, carnes e leite).
Vitamina C – aumenta em 30% a absorção do ferro não-heme (dos vegetais, lembra?). Não interfere na absorção do ferro-heme (das carnes).
Fatores inibidores
Cálcio – presente no leite, relacionado à quantidade. 300 mg de Cálcio diminuem em 50 a 60% a absorção do ferro não heme.
Fitatos – presentes em cereais e alguns vegetais podem diminuir a absorção de ferro não-heme.
Anti-ácidos – usados de forma prolongada (tratamentos de gastrites, refluxo gastro-esofágico em crianças e adultos), inibem a absorção do ferro, podendo levar à anemia.

Informação:
Vegetarianos, apesar de não terem em sua dieta o ferro-heme, de terem quantidade de ferro inadequada e de terem grande quantidades de fitatos e fibras que inibem a absorção do ferro, costumam apresentar pouco índice de anemia por deficiência desse elemento.
Estudos pressupõem que fatores encontrados na dieta vegetariana, como vitamina C, ferro disponível na soja e em outros alimentos, compensem a pobre absorção do ferro dos alimentos vegetais, sustentando a teoria de que a sua absorção (ferro) seja, em parte, mediada pelas necessidades nutricionais do indivíduo

Em busca do controle e prevenção da anemia, sempre aparece alguma dica, algum conselho, com a melhor das intenções, mas nem sempre com um bom embasamento científico.
Vamos ver alguns deles?
MITOS


– Cozinhar em panela de ferro ou colocando um prego na comida aumenta o aporte de ferro da dieta
. O tipo de ferro que “sai da panela ou do prego” é do tipo férrico e o que absorvemos é do tipo ferroso. Assim, a comida pode até ficar mais gostosa, mas não enriquece a dieta em ferro.
Beterraba tem muito ferro. Essa idéia aparece, provavelmente, por ela ser vermelha, da cor do sangue. Mas sua quantidade de ferro é muito, muito, muito pequena (veja na tabela).
Conseguimos corrigir a anemia por falta de ferro com alimentação. Uma vez estabelecida a anemia, ela so pode ser corrigida pelo tratamento medicamentoso, normalmente durante 4 meses (2 meses para correção e 2 meses para formação de estoque de ferro).
Prevenindo a anemia por falta de ferro
– Aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida.
– Após o 6º mês, oferecer fórmulas infantis que são enriquecidas com ferro.
– É absolutamente contra-indicada a oferta de leite integral a crianças abaixo de 1 ano de idade. É um dos fatores mais comuns de micro-hemorragias intestinais que podem levar à anemia.
– Após 1 ano de idade, a criança deve receber, no máximo, 3 refeições de leite (importante fonte de cálcio, proteínas, vitaminas). Nessa idade, a criança já deve receber a dieta da família, bem equilibrada, contendo cereais, vegetais, legumes, frutas, carnes.
– Nunca substituir uma refeição salgada (almoço ou jantar) por leite. A refeição fica incompleta, inadequada e desequilibrada, alpem de aumentar o aporte de cálcio que pode inibir a absorção do ferro, levando a mais anemia.
– As refeições salgadas devem conter alimentos ricos em ferro-heme (carnes, aves e peixes). O fígado oferecido de forma regular (a cada 2 semanas) é uma excelente fonte de ferro. Vegetais de folhas verde-escuras (ferro não-heme) nunca devem faltar nessas refeições e podem ter, como facilitadores, alimentos ricos em vitamina C como tomate, além das frutas (como sucos ou sobremesas – laranja, acerola, morango).
– Refrigerantes, chás, café devem ser evitados em crianças por interferirem de forma negativa na absorção do ferro.
As consultas periódicas com o pediatra são importantes para o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento. As avaliações de peso, estatura e outros parâmetros podem indicar a pesquisa da presença de anemia e a classificação de seu tipo para a prescrição do tratamento medicamentoso e dietético adequados.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *