Existe mesmo essa história de queda de imunidade?

Esfriou de novo? Infecções respiratórias e alergias outra vez?

Essas são das queixas mais comuns dessa época, tanto para as crianças quanto para adultos, em consultórios (inclusive no meu, especialmente na homeopatia). E a primeira solicitação é: “Doutor, eu vim aqui para aumentar a minha imunidade”. Por seu tão freqüente, resolvi esclarecer, para que isso não aconteça tanto assim: Não há como aumentar uma imunidade que é normal e não é doença, nem na alopatia e nem na homeopatia.
Explicando melhor:
– Existe um quadro que é caracterizado como Imunodeficiência, que é doença.
– Existe um quadro conhecido como imunidade baixa, que é mais um dos mitos da medicina (assim como achar que usar muita vitamina C protege contra resfriados e gripes – MITO).
O que são quadros de deficiência imunológica?

A palavra imunidade vem do latim immunitas (era a isenção de taxas que se oferecia aos senadores romanos – desde aquela época, vejam só). Com o tempo, essa idéia foi transferida para a proteção contra doenças, mais especialmente contra as infecto-contagiosas. Nosso corpo tenta se defender de várias formas contra agentes agressores (vírus, bactérias, fungos, por exemplo).
Para começar, alguns agentes físicos como cílios, pelos, muco, líquidos corporais e complemento presentes em locais estratégicos (nariz, boca, vagina, entre outros) são obstáculos na tentativa de neutralizar esses agentes, que são destruídos por células que temos em nosso corpo, destinadas a essa função. Quando esses mecanismos falham (imunidade natural) ou existe uma agressão mais específica (antígenos que vão gerar um tipo de resposta do nosso corpo), temos em ação uma imunidade mais específica (adquirida), compostas pelos anticorpos (com nomes bem diferentes – linfócitos T, B, plasmócitos). Esse é o nosso sistema imune que garante nossa sobrevivência em relação a infecções.
Assim, quando algum (ou alguns) desses mecanismos não está adequado, aí poderemos ter uma imunodeficiência ou um defeito do sistema imunológico. Essa é uma doença que pode nascer com a gente, não é contagiosa, mas pode ser transmitida (hereditária) de pais para filhos.
Como suspeitar de um quadro de Imunodeficiência Primária na Criança?
Ter muitos resfriados, corrimentos, herpes, sapinhos podem ser sinais de uma “queda de imunidade”? Normalmente não.
Há 10 situações que são observadas pelos médicos para pesquisar essas doenças. Sem pelo menos alguma dessas características, não há razão para maiores preocupações:

1. Duas ou mais pneumonias no último ano.
2. Quatro ou mais episódios novos de otite no último ano.
3. Estomatites de repetição ou monilíase por mais de dois meses.
4. Abscessos de repetição ou ectima.
5. Um episódio de infecção sistêmica grave (meningite, osteoartrite, septicemia).
6. Infecções intestinais de repetição / diarréia crônica.
7. Asma grave, Doença do colágeno ou Doença auto-imune.
8. Efeito adverso à vacina do BCG e/ou infecção por Micobactéria.
9. Manifestações clínicas sugestivas de síndrome associada à Imunodeficiência.
10. História familiar de imunodeficiência.
O que não indica queda de imunidade?
– Muitos resfriados: mesmo que sejam muito freqüentes, resfriados não indicam esse quadro.
– Viroses (olha elas aí de novo): as crianças pequenas (até os 3 anos de idade, em média) apresentam seu sistema imunológico imaturo que pode facilitar a aquisição de viroses, principalmente se frequentar creche. Mas, isso também não significa que tenha alguma diminuição da imunidade.
– Herpes labial ou genital de repetição, corrimentos: esses quadros estão muito mais relacionados a stress e hábitos de vida do que a queda de imunidade.
E como é feito o diagnóstico?
A suspeita inicial tem que ser sempre clínica. Além disso, há testes laboratoriais, alguns gerais e outros mais específicos, para avaliar a nossa imunidade. Nunca se auto-medique. Nunca se “auto-desmedique”. Essa prática interfere demais na avaliação médica para a pesquisa e tratamento de qualquer tipo de alteração de saúde.

E esses quadros têm tratamento?
Tudo depende de quando é feito o diagnóstico e do tipo de quadro. Em algumas situações não há condições e em outras nem necessidade de tratamento específico. Mas, mais uma vez, a decisão deve ser médica. Antibióticos, imunoglobulinas para repor anticorpos, vacinação são conseqüências do acompanhamento médico.
Assim, lembre-se:
– Em caso de doença, procure seu médico.


– Nunca se auto-medique, nem se auto-desmedique.

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