Malformação pulmonar

Equívocos no diagnóstico levam a atraso no tratamento e mais sofrimento ao paciente


Problemas na formação dos pulmões podem acontecer e, geralmente, são tratados completamente, devolvendo ao paciente ampla capacidade respiratória para levar uma vida normal, sem restrições. Muitas delas podem ser diagnosticadas ainda durante a gestação, por ultrassonografias realizadas durante o pré-natal, embora o tratamento só seja realizado após o nascimento.

“Já existe nos Estados Unidos e em alguns países da Europa tratamento cirúrgico intrauterino para um tipo de malformação, a adenomatoide cística”, explica o dr. Altair da Silva Costa Júnior, médico assistente da Disciplina de Cirurgia Torácica da Escola Paulista de Medicina, responsável pela Cirurgia Torácica Infantil e membro da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT). A técnica é relativamente nova e ainda não está disponível no Brasil.

A grande dificuldade encontrada por aqui, no entanto, não está relacionada ao tratamento, mas sim ao atraso no diagnóstico. Segundo dr. Altair, metade dos casos de malformação são tratados inicialmente de forma incorreta, muitas delas como pneumonias ou outras infecções pulmonares.

“Um quadro de gripe, com sintomas como febre, coriza e tosse, pode ser facilmente confundida com uma infecção respiratória, se a radiografia mostrar uma alteração. O fato é que nem toda alteração pulmonar é pneumonia. Este fato acarreta tratamentos desnecessários e repetitivos”, alerta o especialista.

Segundo ele, o ideal é que o diagnóstico e a cirurgia para a correção da malformação sejam realizados até os 5 anos de idade, para que não hajam, no futuro, restrições na função respiratória.

“Mesmo retirando metade do pulmão ou um pulmão inteiro, o paciente de até 5 anos conseguirá recuperar a função pulmonar normal, porque o outro pulmão ou a parte do pulmão que sobrou estarão regenerados até os oito anos de idade”, explica.

Para reduzir as chances de erro de diagnóstico e prevenir complicações no tratamento, é importante que médicos e pacientes estejam atentos aos diagnósticos de pneumonia de repetição. Caso aconteçam, o paciente deve ser encaminhado a um pneumologista ou cirurgião torácico para investigação completa.

As principais malformações

As malformações geralmente descobertas nos primeiros anos de vida são enfisema lobar congênito e malformação adenomatoide cística (MAC), por apresentarem sintomas recorrentes. Já o sequestro pulmonar e o cisto broncogênico, no Brasil, geralmente são descobertos e tratados em adultos e jovens.

“Para as malformações mais prevalentes no Brasil, o cisto broncogênico e a MAC, o tratamento é a ressecção da área malformada” explica dr. Altair.

Alguns casos raros são incompatíveis com a vida, como as MAC e as hérnias diafragmáticas muito volumosas, que impedem que o pulmão se desenvolva.

“Nesses casos, pode ocorrer a morte ainda no útero, ou ao nascer, pois a criança não conseguirá respirar. A incidência fatal destas malformações é mínima, não chega a uma em cada cem mil habitantes” revela.

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