Vamos sair? E o bebê?

Há que estabelecer estratégias pois um filho não deverá ser impedimento para os pais fazerem aquilo de que gostam.

Após o nascimento do bebê, os novos papais mudam as suas rotinas uma vez que passam a dedicar muito tempo ao seu filho.

Deixam de praticar determinadas atividades realizadas até então e passam a sociabilizar muito menos.

Há que estabelecer estratégias pois um filho não deverá ser impedimento para os pais fazerem aquilo de que gostam.

Catarina Leal, psicóloga clínica

É natural que, após a maternidade, os pais queiram apenas estar com o seu filho para o poderem mimar e cuidar, contudo, não se devem esquecer que existem outras pessoas à sua volta, como familiares e amigos, com os quais se devem continuar a relacionar.

A determinada altura, os pais poderão e deverão fazer programas fora de casa, tanto com o bebê como sem ele, programas esses que poderão ser realizados tanto durante o dia como à noite.

No caso do bebê não poder acompanhar os pais, estes terão que ponderar com quem deixar a criança, e confiar nessa pessoa. Inicialmente, e na maioria dos casos, os pais optam pelos avós da criança, uma vez que se sentirão mais seguros.

Sair ou não? Eis a questão

Chega uma determinada fase em que os pais manifestam vontade em voltar a sair à noite, o que gera algum conflito interior. Os pais sentem-se divididos entre o sair e o ficar em casa, pois, se por um lado não se sentem preparados para se afastarem do bebê, por outro temem deixá-lo ao cuidado de outra pessoa.

Quando tomam a decisão de sair, defrontam-se com outra problemática. Por norma, os avós são a escolha para ficarem com o bebê. Mas será que eles aceitarão? Se há muitos avós que estão desejosos por passar mais tempo com os seus netos, independentemente do motivo, há outros que não aceitam o fato de terem que ficar com o bebê para que os pais façam saídas noturnas.

Para estes avós, os pais jamais deveriam deixar o seu filho para se irem divertir, o que é errado. Aqui terá que haver um diálogo entre todas as partes e deverá ser explicado aos avós a necessidade de se continuar a sociabilizar com outras pessoas e continuar a sair. Mas como é lógico, as saídas terão que ser comedidas. Os pais não se devem descuidar das suas funções de pais.

Preparar a separação

Há muitos pais, sobretudo mães, que se sentem muito ansiosos e angustiados por se separarem do seu filho, como tal, tomam a opção de não sair. É após o nascimento que a relação mãe-filho se intensifica. Contudo, a partir de determinada altura, a mãe terá que se preparar para a separação.

Aos 4 meses, o bebê apresenta mecanismos que lhe permitem passar algum tempo sem a mãe, uma vez que já não depende tanto dela. É então nesta fase que os pais podem começar as suas saídas noturnas, iniciando-se um processo de independência, não sendo esta uma tarefa fácil.

Mas esta separação, para os pais, é sinónimo de ansiedade, angústia, stress, medo e até mesmo de culpa. Todavia, apesar da dificuldade da situação e de todos os sentimentos referidos anteriormente, os pais terão que lutar para ultrapassar tais preocupações e ganhar confiança para começarem a fazer as suas saídas. Estas são extremamente importantes para que os pais se sintam socialmente ativos e servem para recarregar baterias, uma vez que a partir do momento em que o bebê nasceu, o trabalho em casa e as responsabilidades aumentaram.

Estratégias para o início das saídas noturnas

– Antes de mais, devem ser feitas algumas atividades mas de forma gradual, como por exemplo, ir ao supermercado, sem levar o bebê;

– A primeira saída noturna deverá ser calma. Escolha um programa mais tranquilo para que não se sinta tão angustiada;

– É necessário que o bebê fique aos cuidados de alguém. Deve-se escolher uma pessoa de confiança e de preferência com alguma experiência, para que os pais se sintam mais seguros em deixar o seu filho. Por norma, os avós são os escolhidos para serem os cuidadores;

– No caso de terem que deixar o bebê ao cuidado de uma ama, permitam que haja um contacto prévio entre ela e o bebê para que possam estabelecer uma relação;

– Não se iniba de dar diversas indicações sobre os horários e rotinas do seu bebê. Deixe todos os contatos telefónicos com o cuidador, como por exemplo, o do pediatra;

– O afastamento deverá ser lento e gradual. Comece por sair esporadicamente e durante pouco tempo;

– Ao sair, sorria para a criança e não transmita insegurança. Essa insegurança é passada para a criança, que poderá ficar ansiosa perante outras situações de separação ou não se conseguir adaptar a ambientes longe dos pais. Despeça-se, mesmo que isso seja doloroso para si. Assim, a criança não se sentirá “abandonada” e esperará pelo seu regresso.

DESTAQUES

A determinada altura, os pais poderão e deverão fazer programas fora de casa, tanto com o bebê como sem ele.

Aos 4 meses, o bebê apresenta mecanismos que lhe permitem passar algum tempo sem a mãe, uma vez que já não depende tento dela.

As saídas são extremamente importantes para que os pais se sintam socialmente activos e servem para recarregar baterias, uma vez que a partir do momento em que o bebê nasceu, o trabalho em casa e as responsabilidades aumentaram.

Não se iniba de dar diversas indicações sobre os horários e rotinas do seu bebê.

Despeça-se, mesmo que isso seja doloroso para si. Assim, a criança não se sentirá “abandonada” e esperará pelo regresso dos pais.

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