ESCOLIOSE E GRAVIDEZ: AS DIFICULDADES DA ANESTESIA PERIDURAL NO PARTO

A gravidez junto com deformidades da coluna vertebral tem desafiado as técnicas de anestesia. No caso da escoliose o desafio tem sem mostrado ainda maior. Algumas mulheres têm uma curvatura na coluna tão sutil, entre 0 e 20 graus, que não provoca maiores danos e lesões na vida da paciente. No entanto, quando o grau está acima de 40, a escoliose é grave, o que pode provocar restrição pulmonar e problemas cardíacos. Segundo o neurocirurgião Dr. Paulo Porto de Melo, a escoliose em si não é um problema, somente quando o desvio é muito acentuado ou caso a gestante tenha se submetido à cirurgia de correção antes da gestação, o que pode dificultar a introdução do cateter.
“Mas isso é avaliado antes do parto. Normalmente, algumas semanas antes de entrar em trabalho de parto, a paciente passa por um estudo anestésico onde, entre outras informações, o médico avalia se a escoliose ou curvatura da coluna vertebral é um impedimento para a aplicação da peridural”, explica o médico formado pela UNIFESP, colaborador do Departamento de Neurocirurgia de Saint Louis (Missouri- EUA), introdutor e pioneiro da neurocirurgia robótica no Brasil.
Gravidez e Escoliose Grave
As mulheres com escoliose grave devem consultar seu médico antes de engravidar para acompanhamento da coluna e do feto. Durante os últimos estágios da gravidez, elas podem ter alguns problemas respiratórios. Isto porque, com o avanço da gestação, o útero, aumentado, empurra o diafragma da gestante para cima, piorando a falta de ar. A dor nas costas nesse período também pode ser significativa. “Com o crescimento do feto, o espaço reservado aos pulmões no corpo pode ser reduzido sensivelmente. Assim, antes de partir para a gravidez, o primeiro passo é procurar seu médico de confiança para uma avaliação física uma vez que a escoliose grave, por si própria, já pode reduzir o espaço reservado aos pulmões”, alerta o médico.
Os médicos também têm papel fundamental na hora de orientar suas pacientes quanto à cirurgia para reparar a curvatura da coluna vertebral. A intervenção é a melhor opção nos casos de escoliose grave, no entanto, as mulheres que desejam engravidar, mas já passaram antes pela cirurgia, terão que aguardar mais um tempo para tornarem-se mães. A maioria dos especialistas recomenda que a paciente espere, pelo menos, seis meses após a cirurgia, antes de considerar qualquer tipo de planejamento familiar. Esse é tempo para se recuperar totalmente da cirurgia. “A opção cirúrgica consiste de fusão e correção da escoliose por meio de parafusos e uma haste de titânio que melhoram sensivelmente o ângulo da coluna e propiciam, consequentemente, mais espaço para pulmões e feto”, alerta o neurocirurgião.
Escoliose Grave e a Epidural
Normalmente, a anestesia peridural é contraindicada se uma mulher tem alterações graves na coluna vertebral, como a escoliose. Estudos mostram que 30% das gestantes, mesmo apresentando alterações posturais, conseguem realizar um parto normal, com dilatação suficiente para a expulsão do bebê, sem que a escoliose interfira no parto. Já a maioria das gestantes, especialmente as com desvios grandes da coluna, é obrigada a optar pela cesárea e anestesia geral. Por conta da escoliose elas geralmente não têm um canal de parto adequado, apresentando uma bacia estreita, e a criança não se posiciona adequadamente na pelve materna ou se encontra alta.
De acordo com o Dr. Paulo Porto de Melo, realmente há uma influência da escoliose no tipo de parto. Para algumas pacientes, a escoliose pode ser um fator impeditivo de anestesia epidural, comum em partos normais. “Não existem, por exemplo, diferenças no parto entre as mulheres com leve a moderada escoliose e mulheres sem escoliose. O peso extra da gestação não aumenta a curvatura da coluna vertebral. Mas é decisivo para uma mulher grávida que sofre de escoliose grave, discutir opções de anestesias com o seu médico antes de ir a trabalho de parto. É mais seguro e evita futuras complicações”.
E o que é escoliose?
A escoliose é um desvio anormal da coluna vertebral e pode ser avaliado em exame clínico, observando a curvatura ao olhar o paciente de frente ou de costas. É uma doença que surge e evolui sem causar dor ou incapacidade, mas os especialistas alertam sobre a importância do diagnóstico precoce desta doença. Esses profissionais têm a oportunidade de identificar a escoliose, durante suas avaliações clínicas de rotina.
Existem várias causas diferentes para o aparecimento da escoliose. A doença pode ser congênita (a pessoa nasce com a má formação), sindrômica (associada a outras doenças), neuromuscular (associada a doenças neurológicas ou musculares) ou idiopática (de causa desconhecida). Entre as idiopáticas, a mais comum é a escoliose do adolescente, que surge e se desenvolve na fase do crescimento rápido.
Após diagnóstico da doença, o paciente deve ser observado periodicamente. No caso em que a escoliose é progressiva, o uso de colete ortopédico pode ser o primeiro tratamento para impedir a sua progressão. Se observadas numa fase mais avançada, as deformidades não respondem mais a esse tipo de tratamento, passando então a ter indicação cirúrgica. “Algumas escolioses são mais graves, necessitando de cirurgia de artrodese vertebral para evitar o comprometimento da função cardiopulmonar”, explica Melo.
Fonte – Dr. Paulo Porto de Melo (CRM 94.048), médico neurocirurgião formado pela UNIFESP, colaborador do Departamento de Neurocirurgia de Saint Louis (Missouri-EUA), introdutor e pioneiro da neurocirurgia robótica no Brasil.
Site do médico- www.drpauloportodemelo.com.br

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