DESCUBRA COMO ESTIMULAR O CÉREBRO DOS BEBÊS

“Durante a primeira infância o cérebro está em constante mudança. Ocorre aumento intenso da complexidade da comunicação entre neurônios, em um processo de criação e modificação das chamadas sinapses. Nessa fase se privarmos o bebê de um estímulo específico, determinada rede pode não se consolidar adequadamente”, afirma o especialista.
Esse é um conceito importante: se um bebê não recebe luz nos olhos nos primeiros meses, por exemplo, não desenvolve as vias visuais em toda sua complexidade. A mesma coisa vale para sons, paladares, cheiros e possivelmente para estímulos sociais como afeto, carinho, proteção e convívio com o próximo. Isso significa dizer que parte do desenvolvimento pode ser direcionada pelo ambiente. Criança privada de carinho pode ter dificuldade de prover carinho, criança com privação de vínculos sociais pode evoluir com dificuldade de socialização, e assim por diante.
Evidentemente que não podemos mudar a carga genética, os traços intrínsecos de personalidade e carácter, mas podemos criar o melhor ambiente externo para o adequado desenvolvimento, sem restrição ambiental ou mesmo estímulos que alterem negativamente o curso natural da evolução neurológica.
Por isso, procure acessar todos os canais sensitivos do bebê! Por vezes mais de um ao mesmo tempo. Brinque, cante, interaja, aguarde suas respostas. Fale olhando nos olhos, aponte, abrace. O tato, os sons, as cores, cheiros, etc… o cérebro do pequenino é uma esponja, ela não conhece quase nada desse mundo. Seco, molhado, seguro, perigoso, só testando pra saber. Não o prive de desvendar o mundo já durante o primeiro ano! Pular de colo em colo, se sujar, colocar as coisas na boca, desvendar os alimentos, levar seus tombos por aí, etc. O cérebro agradece e o sistema imune também. Tudo com bom senso, obviamente. Mesmo que não seja uma ideia fácil de aceitar em um primeiro momento, o bebê precisa também, aos poucos, ir conhecendo os sentimentos ruins, mas que garante a preservação, como a dor, o medo e mesmo a frustação de não ter algo que deseja no momento inoportuno. Nada pior que uma criança sem limites, sem medo de nada e que não compreende as limitações sociais do convívio coletivo.
Entenda o cérebro do bebê
O neurologista Leandro Teles explica quais são as principais áreas do cérebro que devem ser estimuladas:
Lobo Occipital – recebe a informação visual. Para estimular as funções visuais, a criança precisa manter contato com rostos de pessoas conhecidas, brinquedos coloridos e animações (TV, tablets, celulares ou computadores). Um ambiente bem iluminado e rico em estímulos visuais ajuda bastante. Use objetos de formar bem definidas e cores contrastantes, isso facilita muito, nada de muito detalhe e tons em dégradé, isso necessita de muito mais maturidade visual.
Lobo Parietal – responsável pelas sensações táteis e habilidades matemáticas. O lobo parietal pode ser estimulado com o toque, abraço, beijos, coloque objetos de diferentes texturas na mãozinha do bebê (ele já segura desde muito novinho). Mostre o quente e frio, ensina-o a posicionar a chupeta, segurar a própria mamadeira, fazer carinho nos pais, etc… .
Lobo Temporal – corresponde ao processamento de sons, compressão da linguagem e do gerenciamento da memória. Converse com o bebê, exponha a canções instrumentais e canções cantadas, ensina-o a bater palma no compasso da música.
Lobo Frontal – está relacionando ao pensamento, planejamento, comportamento, emoção e movimentos voluntários. O lobo frontal deve ser trabalhado com movimentos corporais, desafios motores (alcançar um objeto, se virar, se equilibrar sentado sem apoio, engatinhar para chegar em algum lugar, etc…). Importante aqui estimular a vontade própria, a iniciativa e a estratégia motora. Nada de dar tudo de mão beijada pro bebê, ele precisa pensar, bolar a estratégia, conhecer suas limitações e as modalidades motoras já adquiridas, precisa também trabalhar no limite do desenvolvimento, isso garante a rápida e sólida evolução motora.
Não se esqueça também do cérebro social !! Toda criança precisa de convívio social, com crianças, parentes, animais, estranhos. Precisa aprender dia –a – dia a se colocar no lugar do outro, mudar a perspectiva de visão de mundo. No começo tudo gira em torno dela, o combate ao egocentrismo não pode demorar demais para acontecer. O estimulo social abrangente e frequente desenvolve o cérebro social.
Parece complicado, mas não é! Para um desenvolvimento adequado basta usar de bom senso e do amor real, aquele amor saudável e dissociado da superproteção e da sensação de posse. Mãos a obra.
Fonte- Neurologista Leandro Teles – formado e especializado pela USP – CRM- 124.984- www.leandroteles.com.br

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