EPILEPSIA NA GRAVIDEZ

Existe preocupação tanto com a saúde da mãe, que tem um risco aumentado de complicações gestacionais, quanto com a saúde do bebê, que pode ter problemas de saúde decorrente do uso materno de medicamentos contra as crises epilépticas. Mesmo diante desse cenário, acima de 90% das gestações de mães com epilepsia bem acompanhadas transcorrem satisfatoriamente e dão origem a bebês completamente saudáveis.
Segundo Dr. Leandro Teles, médico neurologista, seguem os riscos maternos e fetais e as recomendações de como minimizá-los:
Risco Materno:
1- Ter crises durante a gravidez = de modo geral 1/3 das mulheres melhoram o controle de crises durante a gravidez. 1/3 delas mantém exatamente a mesma frequência de crises e cerca de 1/3 pioram. Os principais fatores de piora são interrupção ou troca de medicamento e a queda dos níveis da medicação em algumas fases da gestação. A presença de crises fortes pode causar descolamento da placenta e sangramentos.
Recomendação = programar a gravidez após controle adequado das crises, manter a medicação de controle e ficar de olho na otimização da dose caso seja necessário. Jamais interrompa a medicação ao saber que está grávida. O risco ao bebê será maior com a descompensação das crises do que com o uso do remédio, seja qual for.
Risco para o bebê:
1-Malformação Fetal = o uso de antiepilépticos esteve associado em diversos estudos a um pequeno aumento no risco de malformações no bebê (principalmente defeitos no lábio, coluna e cardíacos).
Recomendação = associar um medicamento chamado Ácido Fólico pelo menos 3 meses antes da gravidez. Essa recomendação é tão importante que muitos centros optam por repor o ácido fólico em todas as mulheres com epilepsia em idade fértil, pelo risco de gravidez acidental em uso de medicamentos anti-epilépticos. O risco foi maior também em paciente que usavam mais uma medicação e doses mais altas. Portanto a recomendação é sempre preferir, na medida do possível, medicamentos únicos e em menor dose capaz de controlar as crises.
Após o Parto
Após o parto surgem outras preocupações, principalmente o risco de crises e a questão do aleitamento. É fundamental manter a medicação e tomar muito cuidado para não derrubar o bebê no caso de crises. A amamentação geralmente pode e deve ser realizada e mantida até pelo menos os seis meses. O risco de passagem de medicamentos pelo leite materno existe, mas geralmente é muito discreto e não justifica a perda dos benefícios do aleitamento materno. Siga sempre as recomendações de seu médico e do pediatra do bebê.
Recomendações Finais
Planeje sempre a gravidez com antecedência e comunique seu médico neurologista e ginecologista. Durante a gestação procure levar uma vida tranquila, sem privação de sono, sem stress desnecessário, com atividade física e alimentação balanceada. Tudo isso, aliado ao uso adequado das medicações e orientações dadas pelo seu médico, certamente garantirá uma evolução com o menor risco possível, gerando um bebê saudável e feliz.
Fonte – Neurologista Leandro Teles – www.leandroteles.com.br

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