PELE SECA, FRAQUEZA E SENSAÇÃO DE CANSAÇO DURANTE A GESTAÇÃO PODE SER HIPOTIREOIDISMO

A partir do momento que a gestante é diagnosticada com hipotireoidismo, deve passar por consulta com um endocrinologista a cada seis ou oito semanas, para avaliar sua dosagem hormonal, por meio de exame de sangue TSH. “Ao ser detectado o hipotireoidismo, é importante aumentar a dose do medicamento utilizado para que haja um equilíbrio hormonal adequado e o bebê não seja afetado. Caso a mulher não trate o problema, o bebê pode sofrer uma redução de quociente de inteligência (QI) porque o embrião, nos primeiros três meses de gestação, depende do hormônio da mãe. Nos casos mais graves, a consequência pode ser o retardo mental severo”, afirma a endocrinologista.
O hipotireoidismo é caracterizado pela baixa atividade da tireoide, que produz menos hormônios do que é necessário para o funcionamento ideal de todas as funções orgânicas. Entre as causas mais comuns para o desenvolvimento dessa doença estão: inflamação crônica da tireoide (chamada tireoidite ou doença de Hashimoto), manifestações pós-cirúrgicas (retirada parcial ou total da glândula) e decorrência de tratamentos prévios de glândula hiperativa. “Quando não tratado, o hipotireoidismo pode provocar anemia e insuficiência cardíaca, evoluindo para uma condição patológica mais complicada chamada mixedema. Nas gestantes, pode desenvolver outras complicações mais severas”, alerta Carolina.
Doença silenciosa
Na maioria dos casos, o hipotireoidismo é uma doença autoimune silenciosa que apresenta poucos sintomas, ou até mesmo nenhum, no início e isso atrapalha o diagnóstico. “O ideal é que o rastreamento seja feito em todas as gestantes, no começo da gravidez. Já as mulheres que sabem ser portadoras de hipotireoidismo, é importante manter um controle rigoroso das taxas hormonais para que aumente a fertilidade e garanta condições adequadas para o desenvolvimento neurológico do bebê”, diz a endocrinologista.
Quando aparecem, os sintomas do hipotireoidismo provocam fraqueza excessiva, pele seca, queda de cabelo e inchaço nas pernas. “Ao notar tais sinais na gravidez, é imprescindível fazer um diagnóstico para verificar se é ou não hipotireoidismo, afinal esses sintomas podem ser comuns na gestação”, destaca a endocrinologista.
O diagnóstico é simples, feito por meio de coleta de amostra de sangue em laboratório, pela manhã. Vale lembrar que os valores de referência para hormônios tireoidianos são diferenciados na gestação, sendo necessária avaliação de um especialista.
O tratamento também dispensa complicações, podendo ser feito por meio de comprimidos diários, ingeridos em jejum, pela manhã. “A doença pode ser facilmente diagnosticada e tratada, evitando uma série de transtornos para a mãe e para o bebê. Normalmente, o obstetra irá realizar todos os exames recomendados na gestação e depois irá encaminhar a gestante a um endocrinologista para avaliação criteriosa sobre as taxas de hormônio”, acrescenta Carolina Mantelli Borges.
E quando a doença é congênita
As crianças que nascem com hipotireoidismo congênito (sem função tireoidiana ao nascer) podem ter sequelas cognitivas, neurológicas e de desenvolvimento, caso o problema não seja identificado e controlado precocemente. Em muitos casos, os problemas de desenvolvimento podem ser evitados se a doença for diagnosticada e controlada imediatamente após o nascimento. “Uma das causas do hipotireoidismo congênito é o retardo mental, a disfunção acontece quando o bebê nasce com ausência dos hormônios tireoidianos”, ressalta a endocrinologista.
Para identificar se o recém-nascido apresenta problemas na tireoide, basta realizar o teste do pezinho. Se o hipotireoidismo congênito for controlado de forma adequada e precocemente, a criança pode levar uma vida normal.
Fonte- Carolina Mantelli Borges, endocrinologista da Clínica de Especialidades Integrada

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *